domingo, 30 de novembro de 2014

Super Heróis se despedem do HERÓI maior - CHAPOLIN


   Homenagem do blog ao grande artista Roberto Gómez Bolanõs, criador dos personagens CHAVES E DO SUPER HERÓI CHAPOLIN

Imagem: Via Internet

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Heterofobia - Mundo ao contrário

Excelente vídeo que mostra um mundo onde ser hétero é ser "diferente", ser discriminado, agredido, perseguido. Mostra ainda como uma família "ausente" nos problemas de seus filhos, sem dar apoio, sem tentar compreender suas necessidades e opções, pode levar a um desenlace trágico.

Assista, compartilhe com seus amigos, discuta sobre o tema, reflita e imagine, você, sua família, seu filho ou filha numa situação similar ou numa situação ao contrário, que é a realidade de nossa cultura, contra  a opção sexual  das pessoas.

Porque, espancar, perseguir, maltratar, matar uma pessoa, só porque ela possue uma opção sexual diferente da sua?

Precisamos aprender e ensinar a nossos filhos a serem mais tolerantes, respeitando as diversidades e os valores das pessoas que se sentem "diferentes".

PS: Não perca seu tempo com comentários agressivos, pois não publicarei nada que seja ofensivo ao ser humano. Obrigado por visitar o blog.




Dica do amigo Alaor Matos - Psicólogo Terapeuta, de Juiz de Fora - Minas Gerais

sábado, 15 de novembro de 2014

Carlo Bergonzi - tenor italiano


Carlo Bergonzi, nasceu em 13 de julho de 1924 em Vidalenzo e morreu dia 25 de julho de 2014, aos 90 anos, em Milão, Itália.

Foi um barítono e tenor, considerado um dos melhores interpretes de Verdi e um dos mais importantes tenores do século XX.

Como tenor sempre cuidou de sua voz, evitando ultrapassar os limites, conseguindo assim fazer a durar por mais tempo, cantando até os 70 anos.

Cantou com as principais divas da ópera, Maria Callas, Renata Tebaldi, Monserrat Caballé.
Começou cantando com barítono de depois mudou para tenor.

Durante a sua carreira de 40 anos, atuou nos principais palcos do mundo, como Scala de Milão Metropolitan Opera de NY. 

Gravou 25 óperas e 31 árias de Giuseppe Verdi.


Iniciou seus estudos musicais, em Parma, aos 14 anos.  Estreou em 1948, como barítono, no papel de Fígaro, da ópera O Barbeiro de Sevilha de Rossini.
Em 1951, estreou como tenor, em Bari no Tatro Petruzzelli no papel de Andréa Chénier.

Carlo Bergonzi  em Barcelona - Espanha


Selecionei alguns vídeos, onde você poderá apreciar a belíssima voz de Carlo Bergonzi, sua técnica e a qualidade de suas interpretações.

Boa audição.






















Pesquisa, fotos e vídeos: Internet - Wikipédia - YouTube

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Dominguinhos - pegou sua sanfona e voltou para o seu aconchego



José Domingos de Morais - Dominguinhos, nasceu em Garanhuns, Pernambuco, dia 12 de fevereiro de 1941 - morreu em São Paulo, dia 23 de junho de 2013. Foi cantor, compositor e um dos grandes instrumentistas do Brasil, sanfoneiro, herdeiro musical de Luiz Gonzaga, o Lua, a quem teve como um dos seus mestres, além de seu pai mestre Chicão, que foi sanfoneiro e afinador de sanfona e de Orlando Silveira.


Recebeu de presente de seu pai uma sanfona de oito baixos que aprendeu a tocar ainda menino.
Com seus dois irmãos (Moraes e Valdomiro) formou o trio Os Três Pinguins e tocavam para ganhar uns trocados em feiras e portas de hotéis.
Tocou pandeiro, triângulo e depois a sanfona. Tocava muito bem e ficou conhecido como "Neném do Acordeon". 

 O nome artístico de Dominguinhos foi dado por Luiz Gonzaga.

Suas influências musicais foram o baião, choro, forró, xote, bossa nova e jazz.

Tocou e fez parcerias compondo com vários grandes artistas brasileiros.

Selecionei alguns vídeos para sua apreciação.

Boa audição





















Pesquisa - fotos e vídeos: Internet - Wikipédia - YouTube

Você não precisa entender de música para apreciar uma música

Hoje em dia há uma necessidade das pessoas em "entender" sobre muitas coisas, ser um especialista em vinhos, cervejas, cachaça, música, moda, carro, etc.
Criam-se confrarias para se estudar e entender de tudo, tornar-se um "grande" conhecedor, saber harmonizar tudo com alguma coisa.
Para mim, são uns chatos de galocha, uns exibicionistas, que querem mostrar superioridade sobre outras pessoas com as suas "expertises".
Já falei que qualquer dia vou ver um boboca desses lambendo rolha de vinho em alguma churrascaria ou pizzaria rodízio. Porque cheirando, já vi em restaurantes mais ou menos, mais para menos, do que para mais.
E a exibição é total.
Bebida é para se beber com prazer, e de preferência em boa companhia. Beber o que se gosta pelo prazer de beber. Não se preocupando em ler rótulos, que tal bebida "tem" que ser acompanhamento de tal comida e ainda usando uma taça especial para cada tipo de bebida.
Puro marketing , para se vender produtos e se cobrar mais caro, dos tolinhos de plantão.
O mesmo acontece para a comida, a dança, as roupas, o carro, a música.
Morro de rir quando vejo umas peruaças enfeitadas para viajar de avião. Para o exterior então é hilário. Usam casaco de peles alugado ou emprestado e botam aquela bota incrementada e cobrem o corpo de bijus, só por que vão pegar um finzinho de inverno ou início de primavera nas "OROPA".
Viajam desconfortavelmente, mas no maior figurino.
Quanto a música, uma vez um tio me perguntou se eu entendia a letra e a história da ópera que tocava. Respondi-lhe, não entendo nada disso, mas ela me toca a alma e as minhas emoções.
Então seja você mesmo, sinta a vida como quiser, viva como desejar, curta o que gostar como achar melhor e deixe os chatos para lá.
Assista o vídeo abaixo, tire as suas conclusões.
Viva, divirta-se, seja feliz e aprecie a vida como você achar que deva ser.
Afinal, é a sua vida.


Understand Music from finally. on Vimeo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Manoel de Barros - O menino poeta que virou passarinho e voou fora da asa


Manoel Wenceslau Leite de Barros, nasceu em Cuiabá, dia 19 de dezembro de 1916 e faleceu e, Campo Grande, dia 13 de novembro de 2014. Aos 97 anos de idade. Foi um poeta. Deixou uma obra de  33 livros e recebeu 13 muitas premiações.
Escreveu, também, livros de poesias infantis. Dentre suas obras destaco "Livro sobre Nada" (1996) e  "Poesia Completa" (2010).
Carlos Drummond de Andrade o considerou o maior poeta vivo do Brasil.  

Hoje, sua neta em uma rápida entrevista, falou que o "legado da obra de seu avô, era o que ele deixava de mais importante e que com certeza, ele tinha virado um passarinho".

Veja no blog outra postagem que fiz com os 10 melhores poemas de Manoel de Barros.

Acesse: http://juniverso.blogspot.com.br/2014/09/cha-da-tarde-com-manoel-de-barros.html


O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.

Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!


Pensamentos e poemas de Manoel de Barros

Passava os dias ali, quieto, no meio das coisas miúdas. E me encantei.

Sou livre para o silêncio das formas e das cores.


Foto: UNIVERSO

Por viver muitos anos dentro do mato

Moda ave
O menino pegou um olhar de pássaro -
Contraiu visão fontana.
Por forma que ele enxergava as coisas
Por igual
como os pássaros enxergam.


No fim da tarde, nossa mãe aparecia nos fundos do quintal : 
Meus filhos, o dia já envelheceu, entrem pra dentro.


A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.


Sou hoje um caçador de achadouros da infância. 
Vou meio dementado e enxada às costas cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos.




                                             " A voz de uma passarinho me recita."


Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho
1 abridor de amanhecer 
1 prego que farfalha
1 encolhedor de rios -e 
1 esticador de horizontes




Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas
mais que a dos mísseis.
Tenho em mim
esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância
de ser feliz por isso.
Meu quintal
É maior do que o mundo.




                                                 
                                                     "Poesia é voar fora da asa.

Fotos: UNIVERSO
Pesquisa: Wikipédia - Internet - Jornal Opção - Revista Bula

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Walmor Chagas - Última cena, último ato de uma vida


Walmor de Souza Chagas, nasceu em Porto Alegre, dia 28 de agosto de 1930, faleceu em Guaratinguetá, no dia 18 de janeiro de 2013.
Foi um ator, diretor, autor e produtor teatral brasileiro. Era viúvo da atriz Cacilda Becker e deixou uma filha, cantora, Maria Clara Becker Chagas.

Na década de 50 muda-se para São Paulo, cursa as Faculdades de Filosofia, Letras e Ciências Humanas e de Filosofia ambas da Universidade de São Paulo.

No teatro e cinema teve expressivas participações, foi um artista que criou grandes e marcantes personagens.

Criou juntamente com Ítalo Rossio Teatro das Segundas - Feiras e em 1954 estreou no TBC - Teatro Brasileiro de Comédia.

Recebeu vários prêmios por suas atuações no teatro e no cinema.

Na TV atuou em várias novelas e minisséries. Destaques para Locomotivas, vereda Tropical, Eu Prometo, Salsa e Merengue, Coração Alado, A Favorita,, Avenida Paulista, O Pagador de Promessas, os Maias, Mad Maria.

Foi casado por 13 anos com a atriz Cacilda Becker, que faleceu em 1969, aos 48 anos de aneurisma cerebral..

Walmor estava diabético e com degeneração macular, isso o deixava muito triste por não poder mais ler, o que mais gostava de fazer. Aos 82 anos, começou a ficar dependente da filha o que o deixava triste e preocupado, por estar dando trabalho.

Vivia em sua fazenda, onde morreu, num último ato de vida, tal qual o personagem de sua última peça, de 2004, "Um Homem Indignado". No cinema seu último trabalho foi em "A Coleção Invisível", de Bernard Attal.



Cena com Walmor Chagas e Leonardo Vieira (Pedro da Maia), minissérie "Os Mais" - Rede Globo, 2001, de Maria Adelaide Amaral, baseada no romance homônimo de Eça de Queiroz


Cena com Walmor Chagas (Don Afonso) e Fábio Assunção, a morte de Don Afonso, da minissérie "Os Maias".



                  Walmor na cena do filme Valsa para Brun Stein de 2007, de Paulo Nascimento


Walmor Chagas e Cacilda Becker

         O ator Walmor Chagas em cena de seu último espetáculo teatral, "Um Homem Indignado"


Vídeos - fotos e pesquisa: YouTube e Internet - Wikipédia

MPQ - Música Popular de Qualidade - Lua Branca - Chiquinha Gonzaga

Foto: UNIVERSO - Lua cheia vista de minha janela

Minha mulher recebeu de uma amiga e me enviou o vídeo abaixo com a música de Chiquinha Gonzaga - LUA BRANCA.
Publiquei mais dois vídeos com a mesma música nas interpretações de Maria Bethânia e Verônica Sabino e em seguida a letra da música.
Essa é uma música eterna na cultura brasileira. Melodia e letra de rara beleza, simples, onde mais uma vez fica claramente demonstrado que o menos é mais. E que o amor é tema eterno.

Boa audição.

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Interpretação de Marcus Viana e Maria Tereza madeira






LUA BRANCA

Oh, lua branca de fulgores e de encanto, 
Se é verdade que ao amor tu dás abrigo, 
Vem tirar dos olhos meus, o pranto, 
Ai, vem matar essa paixão que anda comigo. 

Ai, por quem és, desce do céu, ó lua branca, 
Essa amargura do meu peito, ó vem e arranca, 
Dá-me o luar da tua compaixão, 
Oh, vem, por Deus, iluminar meu coração. 

E quantas vezes, lá no céu, me aparecias, 
A brilhar em noite calma e constelada. 
A sua luz então me surpreendia 
Ajoelhado junto aos pés da minha amada. 

Ela a chorar, a soluçar, cheia de pejo, 
Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo. 
Ela partiu, me abandonou assim, 
Oh, lua branca, por quem és, tem dó de mim! 


LUA BRANCA

MODINHA, da burleta de costumes cariocas FORROBODÓ

Uma das mais célebres canções brasileiras e das mais conhecidas composições de Chiquinha Gonzaga, a modinha Lua branca tem história cercada de mistério. Foi escrita para a burletaForrodobó, representada no Teatro São José em junho de 1912, como modinha das personagens Sá Zeferina e Escandanhas, cujos versos originais mantêm o espírito de caricatura da peça. Em 1929, apareceu essa versão romântica com o título Lua branca gravada pelo cantor Gastão Formenti, sem que se conheça até hoje a autoria dos versos e do novo título. Entre as duas versões, houve um “arranjo” em disco com o título de Lua de fulgores, pelo cantor R. Ricciardi, pseudônimo do paulista Paraguassu, mas foi a versão gravada por Gastão Formenti, acompanhado ao piano pelo professor J. Otaviano, e a edição das Irmãos Vitale com harmonização feita pelo pianista que se consagrou. Chiquinha Gonzaga teve que reclamar a autoria da modinha, denunciando o plágio e obtendo a vitória através da Sbat, entidade fundada por ela. A versão original foi gravada como cena cômica por Pinto Filho e Maria Vidal, em 1930, com o título de Sá Zeferina. Também a melodia original com versos de Paulo César Pinheiro, tendo como título Serenata de uma mulher, foi gravada por Olívia Hime, em 1998. Já a versão canonizada como Lua branca tem numerosos registros fonográficos por cantores e instrumentistas como Paulo Tapajós, Paulo Fortes, Rosemary, Vânia Carvalho, Maria Bethânia, Verônica Sabino, Leila Pinheiro, Joana, Alessandra Maestrini, Antonio Adolfo, Eudóxia de Barros, Rosária Gatti, Marcus Vianna, Maria Teresa Madeira, Leandro Braga.

Vídeos: YouTube
Letra e pesquisa: Acervo Musical
Chiquinha Gonzaga
Foto: UNIVERSO

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Os Cinco Motivos da Rosa - Cecília Meireles - 113 anos de seu nascimento


  1. Cecília Benevides de Carvalho Meireles foi uma poetisa, pintora, professora e jornalista brasileira. Nasceu dia 7 de novembro de 1901 e morreu dia 9 de novembro de 1964, no Rio de Janeiro.
  2. Primeiro Motivo da Rosa

    Vejo-te em seda e nácar,
    e tão de orvalho trêmula, 
    que penso ver, efêmera,
    toda a Beleza em lágrimas
    por ser bela e ser frágil.

    Meus olhos te ofereço:
    espelho para a face
    que terás, no meu verso,
    quando, depois que passes,
    jamais ninguém te esqueça.

    Então, de seda e nácar,
    toda de orvalho trêmula, 
    serás eterna. E efêmero
    o rosto meu, nas lágrimas
    do teu orvalho... E frágil.
  3. Segundo Motivo da Rosa
  4. (a Mário de Andrade)
  5. Por mais que te celebre, não me escutas, 
    embora em forma e nácar te assemelhes 
    à concha soante, à musical orelha 
    que grava o mar nas íntimas volutas. 
    Deponho-te em cristal, defronte a espelho, 
    sem eco de cisternas ou de grutas... 
    Ausências e cegueiras absolutas 
    ofereces às vespas e às abelhas. 
    e a quem te adora, ó surda e silenciosa, 
    e cega e bela e interminável rosa, 
    que em tempo e aroma e verso te transmutas! 
    Sem terra nem estrelas brilhas, presa 
    a meu sonho, insensível à beleza 
    que és e não sabes, porque não me escutas... 
  6. Terceiro Motivo da Rosa
  7. Se Omar chegasse 
     esta manhã, 
    como veria a tua face, 
    Omar Khayyam, 
    tu, que és de vinho 
    e de romã, 
    e, por orvalho e por espinho, 
    aço de espada e Aldebarã? 
    Se Omar te visse 
    esta manhã, 
    talvez sorvesse com meiguice 
    teu cheiro de mel e maçã. 
    Talvez em suas mãos morenas 
    te tomasse, e dissesse apenas: 
    “É curta a vida, minha irmã”. 
    Mas por onde anda a sombra antiga 
    do amargo astrônomo do Irã? 
    Por isso, deixo esta cantiga 
    - tempo de mim, asa de abelha - 
    na tua carne eterna e vã, 
    rosa vermelha! 
    Para que vivas, porque és linda, 
    e contigo respire ainda 
    Omar Khayyam. 

Quarto Motivo da Rosa

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

Quinto Motivo da Rosa

Antes do teu olhar, não era, 
nem será depois, - primavera. 
Pois vivemos do que perdura, 
não do que fomos. Desse acaso 
do que foi visto e amado: - o prazo 
do Criador na criatura... 
Não sou eu, mas sim o perfume 
que em ti me conserva e resume 
o resto, que as horas consomem. 
Mas não chores, que no meu dia, 
há mais sonho e sabedoria 
que nos vagos séculos do homem. 

Pesquisa, poemas e fotos: Internet

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Soneto do Epitaphio - Manuel Maria Barbosa du Bocage

La quando em mim perder a humanidade Mais um daquelles, que não fazem falta, Verbi-gratia — o theologo, o peralta, Algum duque, ou marquez, ou conde, ou frade: Não quero funeral communidade, Que engrole "sub-venites" em voz alta; Pingados gattarrões, gente de malta, Eu tambem vos dispenso a caridade: Mas quando ferrugenta enxada edosa Sepulchro me cavar em ermo outeiro, Lavre-me este epitaphio mão piedosa: "Aqui dorme Bocage, o putanheiro; Passou vida folgada, e milagrosa; Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro".

Foto e poema : Internet

terça-feira, 4 de novembro de 2014

QUEM SABE?! ... - Florbela Espanca


Foto enviada via FB, pelo amigo Eric Cohen

Eu sigo-te e tu foges. É este o meu destino:
Beber o fel amargo em luminosa taça,
Chorar amargamente um beijo teu, divino,
E rir olhando o vulto altivo da desgraça!

Tu foges-me, e eu sigo o teu olhar bendito;
Por mais que fujas sempre, um sonho há de alcançar-te
Se um sonho pode andar por todo o infinito,
De que serve fugir se um sonho há de encontrar-te?!

Demais, nem eu talvez, perceba se o amor
É este perseguir de raiva, de furor,
Com que eu te sigo assim como os rafeiros leais.

Ou se é então a fuga eterna, misteriosa,
Com que me foges sempre, ó noite tenebrosa!
Por me fugires, sim, talvez me queiras mais!

Prato do dia - dicas simples de DLG (Dia de limpar a geladeira)

 Aí vão algumas dicas, rápidas de se preparar, aproveitando ingredientes disponíveis na sua geladeira e em sua despensa.


 Espaguete com mix de cogumelos e ervas

Tinha a pasta em casa, comprei no supermercado, uma bandeja com três tipos de cogumelos.
Piquei os cogumelos, salteei com azeite, ervas de Provence e sal.
Cozinhei a pasta al dente, escorri e acrescentei os cogumelos.



 Utilizando parte dos cogumelos da receita acima, acrescentei bacalhau desfiado, dessalgado e cozinhei (comprei uma bandeja com o bacalhau já desfiado), depois salteei no azeite e misturei com os cogumelos que já estavam prontos.

Acrescentei um pouco de creme de leite fresco e metade de uma colher de sobremesa de farinha de trigo, para dar cremosidade.

Coloquei um pouco de queijo parmesão ralado e levei ao forno para gratinar.

Tinha as formas de massa, sobra congelada de massa de empadão. Você pode comprar no supermercado, barquetes e empadinhas, já prontas, é só rechear e levar ao forno para aquecer e gratinar.




Esse é um lanche que gosto de preparar e comer acompanhado de um bom vinho

Ingredientes (Serve 1 pessoa)

1 burrata
8 Tomates cereja cortado ao meio, temperado com azeite, sal e balsâmico trufado
3 a 4 azeitonas pretas (pode ser a portuguesa ou azapa)
3 fatias de presunto cru
1 pão de azeite. (Use o pão de sua preferência)

As quantidades dos ingredientes poderão ser a gosto


Polenta com carne moída, molho de tomate, milho pronto e azeitonas azapa.

Use fubá ou ingrediente para polenta na proporção de 4 a 5 colheres de sopa para 1 litro de água.
Dissolva em água fria o fubá, leve ao fogo, mexa sempre até engrossar e cozinhar o fubá.
Numa panela, coloque azeite e salteie até dourar, meia colher de sopa de cebola ralada
Junte a carne moída refogue, adicione o tomate batido no liquidificador, o milho, as azeitonas sem caroço e picadas, salsinha picada.
Misture bem e deixe a carne cozinhar. Apure o sal. Se necessário, acrescente aos poucos água, para que não seque o molho.
Polenta pronta, ponha na vasilha em que vai servir e adicione a carne moída por cima.
Sirva quente.

Dicas: Prefiro a polenta mais mole, se ficar muito mole, adicione mais um pouco de fubá, dissolvido em água fria e acrescente, mexendo sempre até incorporar.. Se a polenta ficar mais dura, adicione aos poucos água quente. Mexa bem e deixe chegar ao ponto de cozida.

Usei carne moída para  1 hambúrguer, que estava congelada e sem tempero. Tinha uma porção de milho congelado e salsinha idem. O fubá, usei o resto que havia na vasilha. Tinha dois tomates na geladeira, bati no liquidificador para fazer o molho.


Arroz com grão de bico, passas pretas e brancas, tomates cereja, salsinha, com frango assado em ervas e batatas assadas no azeite e alecrim.

Usei 2 contra coxas de frango, temperei com sal, cebola ralada e ervas misturadas (orégano, louro e tomilho). Assei em forno bem aquecido em temperatura média.
Tomates cereja cortados e salteados no azeite e temperados com sal.
Grão de bico cozido (tinha uma porção congelada) e salsinha picadinha, idem
Tinha 2 batatas médias. Temperei com azeite, esfreguei um pouco de sal, coloquei uma pitada de alecrim e assei junto com o frango

Dicas: para que as batatas não passem do ponto, acompanhe o cozimento e vire-as para que cozinhem por igual e fiquem douradas dos dois lado.
Sempre que usar temperos variados, use em pequena proporção para que a comida não fique temperada de as e perca o sabor de cada ingrediente.
As uvas passas, usei o que tinha em casa

Fotos, preparo dos pratos e único comilão: UNIVERSO

Noite de Saudade - Florbela Espanca

 

A Noite vem poisando devagar
Sobre a Terra, que inunda de amargura...
E nem sequer a benção do luar
A quis tornar divinamente pura...

Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor que é cheia de tortura...
E eu oiço a Noite imensa soluçar!
E eu oiço soluçar a Noite escura!

Porque és assim tão escura, assim tão triste?!
é que, talvez, ó Noite, em ti existe
Uma saudade igual à que eu contenho!

Saudade que eu sei donde me vem...
Talvez de ti, ó Noite! ... Ou de ninguém! ...
Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

domingo, 19 de outubro de 2014

Rosário - Vinicius de Moraes








Rio de Janeiro , 1946

E eu que era um menino puro 
Não fui perder minha infância 
No mangue daquela carne! 
Dizia que era morena 
Sabendo que era mulata 
Dizia que era donzela 
Nem isso não era ela 
Era uma moça que dava. 
Deixava... mesmo no mar 
Onde se fazia em água 
Onde de um peixe que era 
Em mil se multiplicava 
Onde suas mãos de alga 
Sobre meu corpo boiavam 
Trazendo à tona águas-vivas 
Onde antes não tinha nada. 
Quanto meus olhos não viram 
No céu da areia da praia 
Duas estrelas escuras 
Brilhando entre aquelas duas 
Nebulosas desmanchadas 
E não beberam meus beijos 
Aqueles olhos noturnos 
Luzindo de luz parada 
Na imensa noite da ilha! 
Era minha namorada 
Primeiro nome de amada 
Primeiro chamar de filha... 
Grande filha de uma vaca! 
Como não me seduzia 
Como não me alucinava 
Como deixava, fingindo 
Fingindo que não deixava! 
Aquela noite entre todas 
Que cica os cajus! travavam! 
Como era quieto o sossego 
Cheirando a jasmim-do-cabo! 
Lembro que nem se mexia 
O luar esverdeado 
Lembro que longe, nos Ionges 
Um gramofone tocava 
Lembro dos seus anos vinte 
Junto aos meus quinze deitados 
Sob a luz verde da lua. 
Ergueu a saia de um gesto 
Por sobre a perna dobrada 
Mordendo a carne da mão 
Me olhando sem dizer nada 
Enquanto jazente eu via 
Como uma anêmona na água 
A coisa que se movia 
Ao vento que a farfalhava. 
Toquei-lhe a dura pevide 
Entre o pêlo que a guardava 
Beijando-lhe a coxa fria 
Com gosto de cana brava. 
Senti à pressão do dedo 
Desfazer-se desmanchada 
Como um dedal de segredo 
A pequenina castanha 
Gulosa de ser tocada. 
Era uma dança morena 
Era uma dança mulata 
Era o cheiro de amarugem 
Era a lua cor de prata 
Mas foi só naquela noite! 
Passava dando risada 
Carregando os peitos loucos 
Quem sabe para quem, quem sabe? 
Mas como me seduzia 
A negra visão escrava 
Daquele feixe de águas 
Que sabia ela guardava 
No fundo das coxas frias! 
Mas como me desbragava 
Na areia mole e macia! 
A areia me recebia 
E eu baixinho me entregava 
Com medo que Deus ouvisse 
Os gemidos que não dava! 
Os gemidos que não dava... 
Por amor do que ela dava 
Aos outros de mais idade 
Que a carregaram da ilha 
Para as ruas da cidade 
Meu grande sonho da infância 

Angústia da mocidade.
FOTO: Enviada via FB, pelo amigo ERIC COHEN